Acordar um dia e perceber que um ouvido “deixou de funcionar”, ou notar ao telefone que de repente não ouve desse lado, é uma situação que assusta mas que muitas pessoas desvalorizam, atribuindo o problema a cera ou a uma constipação. É um erro que pode custar caro: a perda auditiva súbita é considerada uma urgência otológica, e o tempo até ao tratamento influencia diretamente as hipóteses de recuperação.
Fala-se de surdez súbita quando há uma perda auditiva neurossensorial significativa que se instala em menos de 72 horas, quase sempre num só ouvido. Estima-se que afete entre 5 a 20 pessoas por cada 100 mil por ano, embora o número real seja provavelmente superior, porque muitos casos nunca chegam a ser diagnosticados. Pode surgir em qualquer idade, com maior frequência entre os 40 e os 60 anos, e é muitas vezes acompanhada de zumbido, sensação de ouvido cheio ou tonturas.
Na maioria dos casos não se encontra uma causa concreta, e as hipóteses mais estudadas incluem infeções virais, problemas de microcirculação no ouvido interno e reações autoimunes. Mas a mensagem prática não depende da causa: perante uma perda súbita de audição, deve procurar um médico, idealmente um otorrinolaringologista ou um serviço de urgência, nos primeiros dias.
Porquê a pressa? Porque o tratamento de referência, feito com corticosteroides, tem melhores resultados quando iniciado precocemente, de preferência na primeira semana. As diretrizes internacionais de otorrinolaringologia sublinham esta janela de oportunidade: quanto mais tarde se começa, menores as probabilidades de recuperar a audição perdida. Uma parte dos doentes recupera espontaneamente, mas não há forma de saber à partida quem, e esperar “para ver se passa” é apostar contra o relógio.
Como distinguir de um simples ouvido tapado? Um teste caseiro rápido: trauteie ou cante um som contínuo. Se o ouvir mais forte no ouvido “tapado”, o problema é provavelmente condutivo, como cera ou líquido, e menos urgente. Se o ouvir mais forte no ouvido bom, o alerta sobe. Em qualquer na PHILIPS de Entrecampos, recomendamos que em caso de dúvida, a avaliação médica é o caminho a seguir.
Fica a regra simples para toda a família: perda de audição de repente, num ouvido ou nos dois, não se espera, avalia-se. Dias contam.