O ouvido interno é um dos tecidos mais exigentes do corpo humano. A cóclea, onde milhares de células ciliadas transformam som em sinais nervosos, depende de uma irrigação sanguínea fina e constante para funcionar. É por isso que a audição é, em muitos aspetos, um espelho da saúde geral: o que faz mal ao coração e aos vasos sanguíneos acaba por fazer mal aos ouvidos.
A diabetes é o exemplo mais bem documentado. Estudos dos institutos de saúde norte-americanos concluíram que a perda auditiva é cerca de duas vezes mais comum nas pessoas com diabetes do que nas que não têm a doença, e que mesmo a pré-diabetes está associada a taxas mais elevadas de perda auditiva. A explicação mais aceite é que os níveis elevados de açúcar no sangue danificam, ao longo do tempo, os pequenos vasos e nervos do ouvido interno, tal como danificam os da retina e dos rins.
A hipertensão arterial e a doença cardiovascular seguem uma lógica semelhante. Uma circulação comprometida entrega menos oxigénio às células ciliadas, que não se regeneram, e a investigação tem associado de forma consistente a saúde cardiovascular ao estado da audição, sobretudo nas frequências graves. Alguns investigadores defendem mesmo que o ouvido pode funcionar como uma janela precoce para a saúde dos vasos sanguíneos.
O tabaco merece menção própria. Fumar reduz o oxigénio disponível e danifica a microcirculação, e os estudos populacionais mostram que os fumadores têm um risco significativamente maior de perda auditiva do que os não fumadores, com efeito também documentado na exposição passiva.
O que significa isto na prática? Duas coisas. Primeiro, que cuidar da audição não é só evitar o ruído: controlar a tensão arterial, vigiar o açúcar no sangue, não fumar e manter atividade física regular são também formas de proteger os ouvidos. Segundo, que quem vive com diabetes, hipertensão ou doença cardíaca deve incluir o teste auditivo nas suas avaliações regulares de saúde, tal como já faz com os olhos e os rins. A associação americana de diabetes passou aliás a recomendar atenção à audição no acompanhamento destes doentes.
O ouvido não vive isolado do resto do corpo. Na PHILIPS Soluções Auditivas de Entrecampos, em Lisboa recomendamos tratá-lo como parte da saúde geral pois é a forma mais inteligente de o manter a funcionar por muitos anos.