Uma pesquisa rápida na internet devolve dezenas de “aparelhos para ouvir melhor” por 30 ou 50 euros, com fotografias convincentes e promessas generosas. Ao lado, os aparelhos auditivos de um centro especializado da custam muito mais. A diferença de preço levanta uma pergunta legítima: será que não fazem o mesmo? A resposta curta é não, e perceber porquê pode poupar dinheiro, frustração e, em alguns casos, a própria audição.
Os produtos baratos são, na sua maioria, amplificadores de som pessoais. Fazem uma coisa simples: aumentam o volume de tudo, por igual. Ora, a perda auditiva quase nunca é “tudo por igual”. A perda relacionada com a idade, por exemplo, afeta sobretudo as frequências agudas e poupa as graves. Um amplificador genérico aumenta os graves que a pessoa já ouve bem, tornando o mundo mais barulhento, e continua a entregar mal os agudos onde mora a clareza da fala. O resultado típico: mais volume, a mesma confusão.
Um aparelho auditivo verdadeiro funciona de forma oposta. É programado a partir do audiograma da pessoa, amplificando cada frequência na medida exata do que falta, comprimindo os sons fortes para níveis confortáveis e aplicando redução de ruído e microfones direcionais para destacar a fala. E é dispositivo médico, sujeito a regulamentação, com limites de segurança que impedem picos de som perigosos. Muitos amplificadores baratos não têm estes limites, e há estudos e alertas de entidades reguladoras a documentar aparelhos que debitam volumes capazes de danificar ainda mais a audição.
Há ainda o fator que nenhuma caixa inclui: o profissional. A adaptação de um aparelho auditivo envolve diagnóstico, programação personalizada, verificação, ajustes ao longo das primeiras semanas e acompanhamento nos anos seguintes. É este processo, tanto quanto o dispositivo, que explica a diferença de resultados. Um excelente aparelho mal adaptado funciona mal; é por isso que os estudos de satisfação feitos pela PHILIPS Soluções Auditivas de Entrecampos, em Lisboa, mostram resultados muito superiores nas adaptações acompanhadas.
Nada disto significa que o preço não conte, e há hoje gamas de entrada de marcas sérias com excelente relação qualidade-preço, além de soluções de financiamento nos centros auditivos. A questão não é gastar muito: é investir em algo que funciona.
A audição merece o mesmo critério que a visão: ninguém compraria uns óculos graduados “tamanho único” numa loja de conveniência. Com os ouvidos, a lógica é exatamente a mesma.