A exposição ao ruído no trabalho é uma das causas mais importantes, e mais evitáveis, de perda auditiva nos adultos. A surdez profissional continua a figurar entre as doenças ocupacionais mais registadas na Europa, e o mais frustrante é que se trata de um dano silencioso, indolor e totalmente prevenível com as medidas certas.
O risco não se limita às profissões óbvias. Construção civil, indústria, carpintaria e trabalho com máquinas agrícolas estão no topo da lista, mas também músicos, profissionais de bares e discotecas, pessoal de aeroportos, motoristas de longa distância, cabeleireiros expostos a secadores durante horas e educadores em salas muito ruidosas acumulam doses de som relevantes ao longo de uma carreira.
A legislação europeia, transposta para a lei portuguesa, define valores de referência claros. A partir de uma exposição média diária de 80 decibéis, o empregador deve disponibilizar protetores auditivos e informação sobre os riscos. A partir dos 85 decibéis, o uso de proteção torna-se obrigatório e a vigilância da audição dos trabalhadores, através de exames audiométricos, faz parte das obrigações da medicina do trabalho. Para ter uma referência, 85 decibéis corresponde aproximadamente ao ruído de trânsito intenso, e muitas ferramentas elétricas ultrapassam largamente os 95.
O dano funciona por acumulação: a regra fundamental é que, por cada 3 decibéis acima dos 85, o tempo de exposição segura cai para metade. Oito horas a 85 dB equivalem, em dose de ruído, a cerca de quatro horas a 88 dB ou a apenas uma hora a 94 dB. E o corpo dá sinais: sair do trabalho com zumbido ou com a sensação de sons abafados significa que o ouvido interno foi levado além do limite nesse dia.
Na prática, a proteção assenta em três pilares. Reduzir o ruído na origem, com manutenção das máquinas e barreiras acústicas, é a medida mais eficaz. Usar proteção individual adequada, tampões ou abafadores bem ajustados, durante todo o tempo de exposição, porque tirar a proteção “só uns minutos” reduz drasticamente a sua eficácia ao longo do dia. E vigiar, fazendo os exames auditivos da medicina do trabalho e um rastreio de referência por iniciativa própria na PHILIPS Soluções Auditivas de Entrecampos, em Lisboa, para detetar qualquer perda ainda no início.
A audição que se leva para a reforma é a que se protege durante a carreira. Nenhum trabalho devia custar os ouvidos a quem o faz.