Poucas pessoas sabem que alguns medicamentos, incluindo vários que salvam vidas, podem ter efeitos sobre a audição e o equilíbrio. Chamam-se fármacos ototóxicos, e as associações internacionais de audiologia contabilizam mais de duas centenas de substâncias com este potencial, entre medicamentos sujeitos a receita e de venda livre.
Os grupos mais relevantes são bem conhecidos da medicina. Os antibióticos aminoglicosídeos, como a gentamicina, usados em infeções graves, podem danificar de forma permanente as células do ouvido interno. Os quimioterápicos à base de platina, como a cisplatina, estão entre os mais ototóxicos que existem, e a perda auditiva é um efeito secundário frequente e monitorizado nos tratamentos oncológicos. Os diuréticos de ansa em doses altas, alguns antimaláricos como a quinina e o ácido acetilsalicílico em doses muito elevadas também podem afetar a audição, embora nestes casos o efeito seja muitas vezes reversível após a suspensão.
Os primeiros sinais de ototoxicidade costumam ser o aparecimento ou agravamento de zumbido, a sensação de ouvido cheio, tonturas ou uma perda de audição que começa pelas frequências agudas, muitas vezes antes de a pessoa notar qualquer dificuldade nas conversas. É por isso que, nos tratamentos com fármacos de risco conhecido, as boas práticas incluem audiogramas de base e monitorização regular, permitindo ajustar doses ou alternativas antes de o dano se tornar significativo.
Importa dizer o essencial com clareza: nunca deve suspender ou alterar um medicamento por sua conta. Nos casos em que estes fármacos são usados, o benefício para a saúde, ou para a própria vida, supera largamente o risco auditivo, e a decisão pertence sempre ao médico, que pesa alternativas e doses. O papel do doente é outro: informar e estar atento.
Na prática, três gestos fazem a diferença. Pergunte ao médico ou ao farmacêutico se algum dos seus medicamentos pode afetar a audição, sobretudo se já tem perda auditiva ou zumbido. Comunique de imediato sintomas novos, como zumbido ou tonturas, durante um tratamento. E se fez no passado tratamentos com fármacos ototóxicos, como quimioterapia, inclua um teste auditivo no seu acompanhamento.
A audição raramente avisa duas vezes. Com informação e vigilância, é possível tratar a doença sem sacrificar os ouvidos, ou pelo menos agir cedo quando o compromisso é inevitável. Venha à PHILIPS de Entrecampos, em Lisboa e faça regularmente um rastreio gratuito.